Nesta quarta-feira, dia 18 de setembro, a Arena Famecos foi palco do bate-papo “Conversas de jornalismo”, com Alexandre de Santi, editor adjunto do The Intercept Brasil. Mediado pelos professores da Escola de Comunicação, Artes e Design – Famecos Fábio Canatta e Ivone Cassol, ele comentou sobre o modelo de jornalismo realizado pelo veículo. A conversa foi exclusiva para estudantes dos Laboratórios da Escola e Editorial J.

Mesa foi composta por Fábio Canatta, Alexandre de Santi e Ivone Cassol (Foto: Thais Macedo/Famecos/PUCRS)

Jornalista desde 1999, de Santi trabalhou para veículos como jornal Zero Hora, Rádio Gaúcha, Rádio Bandeirantes, ClicRBS e Terra. Fundou a agência de conteúdo Cartola e, após, a Fronteira. Redigiu e editou reportagens para Piauí, Época, G1, Superinteressante e outros.

“Vaza Jato” foi o nome dado ao conjunto de reportagens divulgadas no site The Intercept Brasil sobre as mensagens vazadas de procuradores da República que se envolveram na operação Lava Jato. Você pode ler as 20 partes da série de reportagens que “mostra comportamentos antiéticos e transgressões que o Brasil e o mundo têm o direito de conhecer” aqui.

O editor da agência de notícias relatou que a repercussão das matérias foi maior do que imaginavam e chegou a âmbito internacional. “O que publicamos viajou o Brasil e o mundo, e pessoas puderam formar opiniões sobre a situação”, comentou o jornalista. “Eu, pessoalmente, não esperava que ia ter uma repercussão tão grande e uma grande adesão de apoiadores tão rápido”. Além disso, demonstrou inquietação ao falar sobre a possível denúncia realizada pelo Ministério Público sobre o conteúdo das mensagens. “O nosso papel como jornalistas foi publicar o material, mas como cidadão eu espero que algo seja feito”, afirmou de Santi.

De acordo com o jornalista, o trabalho realizado pelo The Intercept Brasil em conjunto com oito outros veículos de comunicação que têm acesso ao arquivo de mensagens na íntegra é de extrema importância. Foi preciso ajustar os interesses entre os parceiros, além de averiguar se os conteúdos deveriam ou não ser publicados, mas todos têm conteúdos exclusivos.

A conversa foi exclusiva para alunos dos Famecos Labs e Editorial J (Foto: Thais Macedo/Famecos/PUCRS)

O processo de entendimento do arquivo foi realizado minuciosamente. Alexandre de Santi e Rafael Martins foram os primeiros a analisar as mensagens e foi preciso o contexto para decifrar as conversas. “É ir lendo e tentando decifrar a conversa, porque não é uma coisa óbvia”, contou o jornalista.
Quanto a forma como outros veículos utilizarem as informações fornecidas pelo The Intercept Brasil, de Santi disse: “Sou um defensor radical da liberdade de expressão. Todo mundo dá o que quiser, do jeito que quiser”. Ele comentou que, por outro lado, acha esquisito jornais que optam por focar mais na obtenção dos dados ao invés do conteúdo e das consequências do que foi descoberto.

O jornalista disse acreditar que não foi coincidência que o material foi entregue ao The Intercept: “Ele tem esse nome porque foi construído para ser o lugar que abriga fontes que querem denunciar informações que são de interesse público”. Além disso, ele explicou que o modo como a agência é financiada (crowdfunding e assinatura) é planejada para que nunca seja preciso ter relações com anúncios. “Assim, nós nunca vamos ter conflito com banco, empresa ou governo. Não ficaremos com o rabo preso, com medo de incomodar algum parceiro institucional”, disse.

Respondendo a uma pergunta de um estudante, o jornalista afirmou que o The Intercept não acredita que qualquer tentativa de censura seria bem sucedida. “Não acho que seria uma questão de se reinventar, acho até uma época entusiasmante para ser jornalista”, comentou. “Há o que reportar e tem quem queira que as coisas não sejam divulgadas. A gente nunca foi tão útil”.

Por Gabriel Salazar, Amanda Gorziza  | 18 de setembro de 2019

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