O SET Universitário é o evento mais importante da Escola de Comunicação, Artes e Design – Famecos da PUCRS. Entretanto, você já parou para pensar em como os oficineiros se sentem ao participar desse evento? Conversamos com quatro profissionais da área jornalística e que estarão ministrando pela primeira vez no evento. Mas antes, para quem não sabe, chamamos de oficineiros os profissionais que vem até a Universidade ministrar oficinas e compartilhar seu aprendizado com os participantes. Nesta edição do 31º SET Universitário teremos mais de 60 oficinas, o que torna nossos 3 dias de evento intensos e produtivos. Alguns destes nomes que estão presentes neste texto, estão pela primeira vez no SET, outros participaram de edições anteriores onde foram alunos, ex-alunos, premiados e até parte do júri. Vamos conhecê-los?

Oficina de Jornalismo Esportivo ministrado por Carlos Guimarães (Foto: Douglas Rosa/Famecos/PUCRS)

O primeiro nome é o jornalista Carlos Guimarães. O profissional começou como estagiário da Rádio Gaúcha em 1999. Em 2001, foi contratado como produtor de esportes na empresa. Neste período, se tornou coordenador de jornadas esportivas da emissora e plantão esportivo. Podemos notar que Guimarães é jornalista esportivo e tinha isso em mente desde quando começou no jornalismo – e quem sabe antes de se tornar um jornalista. Além disso, ele trabalhou na rádio Bandeirantes, voltou para a rádio Gaúcha e, atualmente, trabalha na Rádio Guaíba. No atual emprego, é coordenador de jornalismo e, desde 2017, de esportes, comentarista esportivo e debatedor. Para quem pensa que acabou, está enganado. Todo jornalista tem como base o texto ou entra na área jornalística pela identificação com a escrita. Seguindo nessa linha, Guimarães está em um novo momento da vida, optou por criar o livro “O comentário esportivo contemporâneo: novas práticas no rádio de Porto Alegre”, pela editora Appris. A publicação, que será lançada no final do ano, é o resultado da pesquisa que ele fez durante o mestrado.

Guimarães participou de algumas edições do evento, onde ganhou um prêmio com o documentário em rádio sobre o Caso Daudt. Além disso, participou também, entre 2013 e 2016, do júri que aponta os vencedores na categoria de documentário de rádio. Bacana, né? Sobre a oportunidade de estar novamente no SET, ele diz que a expectativa é sempre a melhor possível. E se fosse meço através de notas, qual seria? Segundo ele, nota 9, porque 10 é a perfeição e a gente sempre precisa melhorar, para não cair na zona de conforto. “A oportunidade de estar próximo dos alunos e de passar um pouco da minha experiência para a gurizada. Acho sensacional poder conversar com os estudantes e levar um pouco da minha vivência – teórica e prática – para a sala de aula”, ressalta.

A oficina aborda justamente o tema que Guimarães tratou em sua pesquisa pesquisa e a experiência prática que tens como comentarista. Essa oficina é para quem gosta de rádio, de futebol, de comentário, de dar opinião ou para quem é fã de futebol. Sobre isso, diz: “Não é uma verdade absoluta sobre o comentário. É apenas a minha visão, para contribuir, auxiliar e colocar aquilo que pesquisei. Digo que vale à pena, é um bate-papo, com a participação dos alunos”.

Oficina Paixão pela palavra: a missão de contar histórias, por Ricardo Bueno (Foto: Pedro Munhoz/Famecos/PUCRS)

Para Ricardo Bueno a experiência é diferente. Formado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS há 30 anos, iniciou a carreira como redator na Rádio Bandeirantes FM, em 1988. Em outubro de 1989, na redação de ZH, onde permaneceu até 1996. Trabalhou nas editorias de Interior, Esporte, Cultura e, por fim, quatro anos como editor do Caderno Viagem. Nos últimos anos, abriu-se um novo horizonte para o jornalista, chama-se: Alma da Palavra, empresa o qual é sócio junto com a esposa, também jornalista, Fernanda Pacheco. Neste ano, colocou no mercado o seu primeiro romance histórico, sobre os 90 anos da Sicredi Centro Serra, cooperativa fundada em 1927, em Sobradinho. Diferente da maioria dos entrevistados, Bueno nunca participou de nenhum SET Universitário, entretanto, alimentava a ideia de um dia dar aulas, montar palestras e apresentações sobre sua trajetória. Além disso, Bueno tem o jornalismo ligado diretamente em sua vida, principalmente, porque a filha, Júlia Bueno, estuda aqui na Escola, e por isso, imagina que o SET seja uma oportunidade de, por meio de uma oficina, transmitir a intensidade que viveu e tem vivenciado na área, compartilhando tudo isso com quem ainda está se preparando para a vida profissional e tem um mundo de possibilidades à sua frente. “Conversei preliminarmente com o professor Juan Domingues, amigo, ex-colega e parceiro de um projeto na área do esporte, há muitos anos atrás, e ele achou que poderia ser uma boa ideia. Então, formatei o roteiro inicial e apresentei aos organizadores do SET, que consideraram a proposta pertinente”, explica.

Acredito que você deve estar se perguntando do que se trata a oficina, pois então, o oficineiro afirma que a ideia é fazer um relato da própria trajetória pessoal e profissional marcada por sucessivos encontros com a palavra. “Minha missão é emocionar e transformar o mundo a minha volta. A palavra exige dedicação e paixão, e é sempre tempo de começar. Ademais, este é um processo que não termina: estamos sempre aprendendo com ela e a serviço dela”, conta. Imaginou a expectativa dele? Se ainda não, te contamos. Ansioso, ele diz que a expectativa é total, pois, apesar de confiante de que o conteúdo é bacana, não tenho a menor ideia de como vou ser efetivamente recebido, no que diz respeito a conseguir envolver os “oficineiros” nessa minha paixão. “Eu tenho 55 anos, estou fora dos bancos escolares há algum tempo, então tudo pode acontecer, inclusive nada”, brinca. 

Jornalista Roberta Fofoka no 31º SET Universitário (Foto: Flávia Pereira/Famecos/PUCRS)

Mas, ainda está faltando uma pessoa. Ora, também conversamos com Roberta Fofonka. Formada pela PUCRS em 2014/2, havia estagiado em assessorias e veículos de comunicação, no Jornal do Comércio e no Sul21, onde sempre trabalhou com texto e vídeo. “Eu tinha um sonho muito grande de me tornar repórter. Entrei na Famecos em 2010, um momento de estouro e consolidação do digital, em que a formação era bastante orientada para o multimídia”, conta. Há três anos, fruto de uma parceria bem sucedida no estágio com o repórter Mauro Belo Schneider no Jornal do Comércio, recebeu o convite para integrar a equipe do GeraçãoE, um produto do jornal a ser lançado no mercado sobre empreendedorismo, em que ele seria o editor. “É onde hoje assino reportagens, faço edição de vídeo e trabalho com bastante autonomia, o que implica em responsabilidades para além das matérias”, conta. Roberta ainda, escreve pautas locais para uma agência de São Paulo como freelancer e leva adiante, em workshops e palestras, algumas técnicas que desenvolve para compor um texto sem estereótipos. “Sinto que pensar o conteúdo jornalístico desta forma deu muitas ferramentas para a profissional que sou hoje”, afirma.

O SET Universitário é um produto valioso que visa o diálogo entre mercado e a universidade, o bacana nisso tudo é compartilhar experiências com diversas pessoas, cada um com sua bagagem.  Roberta entende a relevância do evento e se diz lisonjeada ao receber o convite de voltar à Famecos como oficineira. “A gente aprende muito, de ambos os lados. Compartilhar sobre o trabalho que faço me ajuda a aprimorá-lo e ter outros olhares sobre ele. Aprendo muito nestas oportunidades”. Entre os dias 1, 2 e 3 de outubro, a jornalista fez duas oficinas, a primeira delas, “Quem você está excluindo do seu texto?”, reúne percepções da sua trajetória enquanto repórter de negócios sobre direcionamento de gênero em um texto. “Sempre recebi muitos materiais de assessoria de imprensa que pareciam tomar por óbvio o leitor masculino, e passei a ver que no mundo diverso do empreendedorismo eu não poderia levar adiante essa postura”, explica. A outra é sobre o desafio dela e do Mauro Schneider de implantar o GeraçãoE aliando o impresso e o digital e os novos papéis que assumimos para cumprir esta tarefa.

Oficina Coming out Stars ministrada por Daniel Quadros (Foto: Mariana Pan Becker/Famecos/PUCRS)

Por último, mas não menos importante, temos o estudante de jornalismo, Daniel Quadros. Daniel, já ganhou um prêmio no SET universitário, deu palestras sobre diversidade e participou de projetos sociais locais. Atualmente, trabalha com Comunicação, Diversidade e Inclusão e RH em uma multinacional de tecnologia chamada ADP Brazil Labs. “Estou sempre procurando coisas novas para aprender e devolver isso de alguma forma para a comunidade”, conta. O estudante, começou sua trajetória no mercado de trabalho dando aulas de inglês como monitor voluntário em uma escola de idiomas em que estudava e hoje, como falamos, é estagiário em uma multinacional de tecnologia e trabalho com Comunicação, Diversidade & Inclusão e RH. “A ADP Brazil Labs me dá muitas oportunidades para participar da minha comunidade local”, ressalta.

A dinâmica que Daniel trouxe à Famecos foi a Coming Out Stars, um exercício de empatia onde todos se colocam na pele de uma pessoa LGBT+ e vivenciam por alguns momentos a realidade dessa população. A atividade é um verdadeiro convite para ouvir, trocar ideias e refletir sobre o que nós, como comunidade, podemos fazer para um mundo melhor. Independente das suas ideologias e orientações, cada um é impactado de alguma forma pela dinâmica. Por fim, diz que receber o convite para participar do evento como oficineiro foi ótimo, principalmente, por poder trazer uma pauta que é comentada diariamente. “Eu recebi o convite com muito carinho, o sentimento foi de gratidão. Ver as pautas da comunidade LGBT+ ganhando espaço me deixa com expectativas de um futuro mais igualitário e diverso”, agradece.

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