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E Xico Sá entrevistou Leo Jaime. E vice-versa

Apresentadores do programa Papo de Segunda trabalham juntos no programa há (Foto: Caroline Pacheco)

Integrantes do programa Papo de Segunda conversam com estudantes no último dia de SET (Foto: Caroline Pacheco)

Com aplausos e assobios intensos, dois grandes nomes da comunicação brasileira subiram ao palco principal do 29º SET Universitário. Leo Jaime e Xico Sá conduziram a palestra de encerramento do evento na noite desta quarta-feira. De forma desinibida, a narrativa da dupla serviu como plano de fundo para debater questões pessoais, profissionais e, até certo ponto, de interesse público.

Jornalista, escritor e apresentador, atuando no mercado há mais de 30 anos, Xico Sá começou no meio televisivo com o programa Cartão Verde, da TV Cultura de São Paulo. Apesar de, na infância, se considerar tímido e acreditar que não teria o perfil ideal para trabalhar nessa plataforma, não desistiu de aprimorar sua desenvoltura. Disse que se considera um cronista nato em todos os meios que atua. “Sou um espectador apaixonado pela vida e me vejo muito assim por causa da literatura que existe na crônica”. Seguindo essa paixão, a qual o pernambucano caracteriza como loucura, Sá trabalha no El País e teve carreira consagrada na Folha de São Paulo.

Nascido em Goiânia, o músico Leo Jaime teve o seu primeiro contato com instrumento na escola, onde aprendeu a tocar trompete. Assistindo ao filme Help, dos Beatles, comentou que se imaginou ator e músico como os integrantes da banda. Ele se encantou especialmente com os versos da banda de Lennon e McCartney. Para ele, a música traduz uma realidade capturada por meio da observação, o que a aproxima da produção jornalística e literária. “Eu vejo uma história e a elaboro contando do meu jeito, não importa a mídia”. Sobre o prazer que sente com a profissão, disse que não é louco pelo o que faz, mas pelo impulso de fazer.

Em tom de brincadeira, Leo Jaime e Sá criaram uma nova configuração para a palestra: entrevistaram um ao outro. Após questionamento do cronista, o músico se definiu como uma pessoa que escreve e que interpreta o que está escrito. “Escrever e criar não é uma opção. É algo que não se pode evitar”, completou. Já o jornalista admitiu ser obsessivo pela conexão entre jornalismo e literatura. “Tive um grande conflito na minha trajetória em função de não produzir exatamente como me pediam”.

Ao final da palestra, a dupla discutiu sobre o imediatismo característico da geração jovem atual com relação à carreira e às consequências da comunicação para o futuro. “Temos que procurar criar a possibilidade de diálogo porque o mundo é diferente. As ideias podem brigar, mas as pessoas, não”, afirmou Xico Sá.

Por Júlia Bueno e Giovana Fleck

29/9/2016


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