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Três amigos que arriscaram

30.09.15: Palestra ''Dez anos do Voz da Comunidade: desafios, conquistas e dificuldades da comunicação comunitária'' teve participação de Rene Silva, Melissa Cannabrava e Betinho Casas Novas. Foto: Luísa Zelmanowicz/Famecos/PUCRS

Palestra ”Dez anos do Voz da Comunidade: desafios, conquistas e dificuldades da comunicação comunitária” teve participação de Rene Silva, Melissa Cannabrava e Betinho Casas Novas (Foto: Luísa Zelmanowicz)

Auditório cheio. No palco, três pessoas. Três moradores do Complexo do Alemão. Três jovens que pensam e fazem uma comunicação comunitária. Renê, Melissa e Betinho. Coordenador de jornalismo, coordenadora de redação e fotógrafo do Voz da Comunidade, respectivamente.

Fábian Chelkanoff, integrante da comissão organizadora do 28º SET Universitário, disse que pela primeira vez o encerramento do evento trouxe conteúdo. E não somente cultura. Mesmo assim, diversas pessoas foram ouvir as histórias dos três jovens.

O princípio do Voz da Comunidade embalou a fala de Renê. Aos 11 anos, ele teve contato com o jornal do grêmio estudantil da escola onde estudava. “Andando pelas ruas, vi os problemas da comunidade e me senti na obrigação de informar as pessoas”. Logo de cara, a ideia de Renê não foi vista com bons olhos. Porém, recebeu o apoio de professores que se disponibilizaram a editar e emprestar equipamentos.

O jornal só começou a ter reconhecimento após a ocupação policial do Complexo do Alemão, em 2010. Na ocasião, Renê narrou em tempo real através do Twitter tudo que acontecia. Foi aí que seus amigos viram a importância do que ele estava fazendo. Divulgaram o trabalho para pessoas influentes na rede social. Em poucos minutos, Renê recebeu mais de 900 mensagens no Twitter. Em pouco tempo, tinha mais de mil seguidores. Assim nasceu o Voz da Comunidade. Hoje, René é seguido por 118 mil pessoas.

A estrutura do jornal foi apresentada por Melissa, que é a responsável pela coordenação e diagramação. Ela disse que frequentemente ouve questionamentos sobre a escolha de optarem pelo impresso. “As pessoas devem entender que produzimos conteúdo principalmente para moradores da comunidade. Lá existem pessoas que não têm nem luz elétrica dentro de casa. Portanto, não poderiam consumir o conteúdo online”.

O cotidiano do projeto foi narrado por Betinho, que contou histórias marcantes dos 10 anos do Voz da Comunidade. Os três integrantes têm uma ligação muito forte com a comunidade, isso fica claro na fala de Betinho. “Desde a morte de uma criança com um tiro na cabeça, até uma senhora baleada, não foram só eles que sangraram, fomos todos nós”.

Chelkanoff questionou os amigos se o trabalho de uma década valeu a pena. “Eu acho que o fato de estar aqui e poder falar sobre isso com vocês faz valer a pena”, disse Melissa. “Não só valeu, como já estamos pensando nos próximos dez anos, para expandir, melhorar e construir”, complementou Renê. Arrisque mais é o lema do 28º SET Universitário. Eles arriscaram. E vão continuar arriscando.

Por Júlia Aguiar e Laura Franco

1/10/2015


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